Silvio Jorge Silva

Começou a trabalhar logo cedo: deu aula de matemática, de kickboxing, trabalhou de garçom e vendeu abadá nas ruas da cidade baixa de Salvador, onde nasceu. Entrou na faculdade de ciências contábeis aos 19 anos, e os estudos eram custeados por um trabalho de repositor de produtos da Johnson & Johnson num supermercado. Pela J&J, passou por Teresina, Uberlândia, Rio de Janeiro, Recife, até vir para São Paulo, como diretor de trade marketing e operações. A trajetória na empresa teve uma pausa, quando atuou como presidente interino em uma farmacêutica. Em 2018, Silvio retornou à Johnson & Johnson, e hoje  atua como diretor comercial. As dificuldades na caminhada foram muitas, mas Silvio acreditava que eram relacionadas a sua classe social: “Só tive consciência do que é ser negro mais para a frente”, conta, lembrando que um ex-chefe que acreditou nele e o ensinou a acreditar em um futuro melhor e em sua própria potência. “Até então tudo era muito distante. Ele foi meu chefe durante muitos anos e hoje está aposentado. Isso me impulsionou e muito do que consegui se deve à minha autoestima e ao meu autoconhecimento”, ressalta. À medida em que foi desenvolvendo autoconhecimento, Silvio descobriu a diversidade: ele conta que era preconceituoso, mas se transformou. Hoje, lidera o SoulAfro, grupo que lidera iniciativas de conscientização e educação sobre racismo na Johnson & Johnson e busca maior equidade étnico-racial na companhia, e quer se firmar como referência na luta antirracista no Brasil e no mundo e mudar as próximas gerações: “Quero deixar meu nome na história, mas isso não é com poder ou riqueza. Com a diversidade, eu posso fazer diferença até em vidas que não conheço. Sonho em inspirar cada pessoa mover sua história para que rompa ciclos e reconstrua suas possibilidades.”

Fonte: forbes.com.br