Shirlei Alexandrino dos Anjos

Aos 44 anos, relembra as dificuldades enfrentadas ainda bem no começo da carreira. “Havia pouquíssimos estagiários negros naquela época e os funcionários negros que existiam só atuavam em funções operacionais. Era raro ver um profissional nos escritórios”, conta. Formada em Administração pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a carioca começou sua trajetória na Shell, em 2002, como auditora de frete, na área de logística. Foi nessa época que se aproximou da análise de dados. “Depois passei pelas áreas de contas a pagar, cobrança e, por último, atuei no projeto global da companhia de migração para o SAP (sistema de gestão), que ocorreu em 2009”, diz. Em seguida, atuou em empresas de engenharia de grande e médio portes como especialista de controles internos – função que exigia ampla utilização de dados para atender diretamente demandas das áreas e dos níveis executivos, utilizando modelos de inteligência de mercado para distribuição dessas informações. Com toda essa bagagem – e três MBAs depois, desembarcou na White Martins, multinacional brasileira de gases industriais e medicinais, em outubro do ano passado, e, atualmente, lidera os projetos de Robotic Process Automation (RPA). Shirlei, que sonha com uma experiência internacional na carreira, diz que, ainda hoje, acha difícil encontrar empresas que têm uma cultura inclusiva, com um ambiente de trabalho efetivamente de troca e aprendizado para todos, onde profissionais negros possam se sentir confortáveis como ela se sente atualmente. “Aprendi que não basta ter cursado três MBAs. O mais importante são as conexões que você faz em empresas que valorizam de fato sua capacidade e desempenho profissional”.

Fonte: forbes.com.br