Igor Valentim dos Santos

Filho de soteropolitanos da periferia de Salvador que foram para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor, o gerente sênior e líder de engenharia, governança e qualidade de dados no Bradesco Igor Valentim dos Santos entendeu muito cedo que sua herança seria estudo. A mãe, pedagoga, abdicou da carreira por uma década para cuidar dos filhos e o pai, oficial da marinha mercante, passava a maior parte do ano trabalhando embarcado. A vida no subúrbio carioca do Méier não tinha grandes luxos, mas alguns privilégios, como estudar em escolas particulares e fazer curso de inglês, que estudou até os 18 anos por insistência da mãe, sem saber o quanto isso lhe seria valioso mais à frente. Fez engenharia de produção na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e em seu primeiro estágio na Losango, braço financeiro do HSBC Brasil, trabalhou com o motor de decisão. Logo foi efetivado e passou a liderar a modernização do motor de decisão da empresa em parceria com o time dos Estados Unidos. O destaque global que a implementação ganhou trouxe a Igor a oportunidade de apresentar as melhores práticas do projeto em fóruns em Londres e Chicago. Em 2009, foi convidado para se mudar para Cidade do México, para implementar os diversos sistemas de risco para os países da América Latina, atuando no entendimento dos diversos cenários dos países e desenhando adaptações necessárias: “Foi uma experiência fantástica. Aprendi muito sobre multiculturalidade no âmbito profissional e pessoal”, recorda.Voltou para o Brasil no final de 2010, para trabalhar em data analytics, uma carreira então recém-estruturada no grupo HSBC, assumindo mais uma vez um foco regional com implementação de projetos de dados para a América Latina. Igor então decidiu permanecer e se desenvolver neste espaço de análise avançada de dados, área em que trabalha no Bradesco, onde ingressou em 2017.Logo que entrou no banco, ajudou a montar o departamento de gestão de dados. Segundo Igor, a missão era apoiar a criação de uma cultura orientada a dados. “Ao longo desses três anos saímos de um grupo de 13 pessoas para mais de 200 colaboradores envolvidos nesse desafio, e estamos protagonizando uma série de ondas de inovação, não só no Bradesco, como na indústria financeira”, aponta o especialista, que está atualmente trabalhando na implementação dos processos de monitoração em tempo real do Pix, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central.Aos 37 anos, Igor atua constantemente com temas voltados para inovação e modernização dos mais diversos processos de negócio do banco e provoca reais mudanças através de sua contribuição na evolução de uma cultura baseada em dados: “Atualmente, o tema dados é essencial em diversos aspectos, desde trazer mais visibilidade para coisas que ficavam escondidas atrás de processos ineficazes, até iniciativas que desafiam o status quo”, afirma.Igor vê a inovação como um processo de desafio a si próprio, onde não aceita um “sempre foi assim” como resposta: “É praticar a escuta ativa e buscar constantemente a excelência em qualquer esfera da nossa vida”, ressalta. O expert em dados quer se tornar um executivo de destaque, para proporcionar à sua família mais do que recebeu: “Afinal de contas, como disse [o fundador do Bradesco] Amador Aguiar, ‘Só o trabalho pode produzir riqueza’- e disso eu não tenho medo.”

Fonte: forbes.com.br